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Rosinha: uma vida dedicada ao trânsito e à educação em Itupeva
Há pessoas que fazem parte da história de uma cidade não porque ocupam grandes cargos, mas porque estão presentes no cotidiano, nas ruas e na vida das pessoas.
Rosa Maria de Moraes, a nossa conhecida Rosinha do Trânsito, é uma dessas pessoas.
Conheço a Rosinha desde 1998, quando eu ainda tinha em Itupeva o Doce Sabor, um comércio que, naquela época, era um dos pontos de encontro da cidade. São mais de 25 anos acompanhando, de alguma maneira, sua trajetória, suas conquistas e também os desafios que fizeram parte de sua caminhada.
Por isso, falar sobre a Rosinha hoje é falar muito mais do que sobre uma diretora e agente de trânsito da Prefeitura de Itupeva. É falar sobre uma mulher que construiu sua vida tendo como marcas a responsabilidade, o compromisso com a família, o trabalho e, ao longo dos anos, uma paixão cada vez mais evidente pela educação no trânsito.
Antes do trânsito, uma história de responsabilidade
Quem conhece a Rosinha sabe que o senso de responsabilidade sempre esteve muito presente em sua vida.
Desde muito cedo, ela assumiu responsabilidades familiares e aprendeu a lidar com as dificuldades sem abrir mão dos objetivos que queria alcançar. Em determinados momentos de sua vida, chegou a trabalhar em dois empregos para cumprir suas responsabilidades e continuar construindo seu próprio caminho.
E existe uma figura que ocupa um lugar muito especial nessa história: sua mãe, Dona Dita.
Para Rosinha, a mãe sempre foi uma de suas maiores referências, sua pedra mais preciosa e uma presença fundamental em sua vida.
Talvez seja justamente essa história familiar que ajude a explicar uma característica tão marcante de sua personalidade: a responsabilidade com aquilo que assume.
E quando o assunto é trabalho, essa característica sempre esteve presente.
A chegada ao trânsito de Itupeva
Rosa Maria de Moraes nasceu em 5 de outubro de 1976, em Indaiatuba, e sua família construiu sua história em Itupeva. Ao longo dos anos, a cidade passou a ser muito mais do que o lugar onde vive: tornou-se o cenário de sua trajetória profissional e pessoal.
Em 2008, Rosinha prestou concurso público para o cargo de agente de trânsito. Em março de 2009, começou oficialmente a exercer a função.
Naquele momento, Itupeva também vivia uma fase importante: era formada a primeira turma de agentes de trânsito do município.
O trabalho não se limitava à fiscalização. Envolvia orientação, monitoramento, sinalização, coordenação de ações e, principalmente, a construção de uma nova relação entre a população e o trânsito.
E foi nas ruas que Rosinha começou a construir a trajetória que a levaria, anos depois, à direção do setor.
Quando educação e trânsito passaram a caminhar juntos
Existe uma diferença importante entre trabalhar com trânsito e fazer do trânsito uma missão.
No caso da Rosinha, a educação sempre ganhou um espaço especial.
Em 2011, ela participou da primeira campanha de conscientização sobre o uso da faixa de pedestres em Itupeva. A iniciativa buscava mudar o comportamento dos motoristas e aumentar o respeito à passagem dos pedestres.
Depois vieram as ações educativas nas escolas e creches da rede pública, iniciadas em 2013.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das partes mais bonitas de sua trajetória.
Porque fiscalizar pode fazer alguém respeitar uma regra naquele momento.
Mas educar pode fazer uma pessoa mudar seu comportamento para a vida inteira.
É essa segunda possibilidade que parece despertar um brilho diferente nos olhos de Rosinha.
A Rosinha que acredita na educação
Ao longo dos anos, a educação para o trânsito ganhou cada vez mais espaço em seu trabalho.
Em 2016, participou do primeiro evento Maio Amarelo realizado em Itupeva, período em que também foi criado e lançado o mascote do trânsito, o Amarelinho.
Em 2017, veio um projeto especialmente ligado à educação: a Mini Cidade para Educação do Trânsito.
A proposta era levar às crianças palestras e um minicircuito que simulava situações do cotidiano de uma cidade, permitindo que elas aprendessem, de maneira prática, como funciona a convivência no trânsito.
No ano seguinte, participou do lançamento do “Joinha”, uma iniciativa voltada para valorizar a gentileza no trânsito.
São ações diferentes, mas que carregam a mesma ideia: trânsito não é apenas carro, rua, sinalização e fiscalização.
Trânsito é comportamento.
É respeito.
É convivência.
É responsabilidade.
E, acima de tudo, é vida.
“Não é pela multa, é pela vida”
Uma frase atribuída à Rosinha em uma homenagem realizada em 2018 resume muito de sua maneira de enxergar o trabalho:
“Não é pela multa, é pela vida.”
A frase ajuda a entender que, para ela, a atuação do agente de trânsito não deve ser vista apenas pelo aspecto punitivo.
Existe uma responsabilidade muito maior: fazer com que as pessoas voltem para casa.
Essa visão também aparece em outra frase que marcou sua trajetória:
“Ninguém faz nada sozinho, somos uma equipe.”
E talvez essa seja outra característica importante de sua história.
Mesmo tendo se tornado uma referência quando o assunto é trânsito em Itupeva, Rosinha sempre destacou o trabalho coletivo.
De agente de trânsito a diretora
A trajetória iniciada nas ruas acabou levando Rosinha a uma nova responsabilidade: a direção do setor de trânsito de Itupeva.
Hoje, ela atua como Diretora e Agente de Trânsito da Prefeitura de Itupeva, unindo a experiência adquirida diretamente nas ruas à responsabilidade de participar da gestão do trânsito municipal.
É uma mudança significativa.
O agente está diante do problema.
O diretor precisa pensar no problema, na equipe, na cidade e nas soluções.
E quem passou anos vivendo o trânsito de perto leva para a gestão uma experiência que não se aprende apenas em livros ou em cursos.
Conhece as ruas.
Conhece as dificuldades.
Conhece as pessoas.
E conhece a realidade de quem está diariamente no trânsito.
Educação e segurança como missão
Atualmente, a atuação de Rosinha está especialmente ligada à educação e à segurança no trânsito.
Ela conduz ações de conscientização destinadas a motoristas e pedestres e também possui certificação como Observadora pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).
A atuação em campanhas educativas continua fazendo parte de sua trajetória. O próprio ONSV registra ações do Maio Amarelo realizadas em Itupeva sob a identificação de “Rosinha do Trânsito”, mostrando que esse trabalho de conscientização ultrapassou os limites das atividades cotidianas da Prefeitura.
Mais do que uma profissional, uma personagem de Itupeva
Para quem olha de fora, Rosinha pode ser definida pelo cargo que ocupa atualmente.
Para quem a conhece há décadas, porém, a história é muito maior.
Eu conheci a Rosinha quando Itupeva era uma cidade diferente da que conhecemos hoje. O Doce Sabor, onde eu trabalhava, era um ponto de encontro da cidade e foi naquele cotidiano que nossos caminhos se cruzaram.
De lá para cá, muita coisa mudou.
Itupeva cresceu.
O trânsito aumentou.
As ruas mudaram.
Novos bairros surgiram.
A cidade ganhou novos desafios.
E Rosinha também mudou de função, de responsabilidades e de posição dentro da estrutura pública.
Mas algumas características permaneceram.
A responsabilidade.
A determinação.
O compromisso com aquilo que acredita.
E, principalmente, essa vontade de transformar o trânsito por meio da educação.
O que o trânsito representa para Rosinha?
Talvez essa seja a pergunta mais importante de toda essa história.
Porque, para algumas pessoas, trânsito é apenas uma profissão.
Para Rosinha, ele se tornou parte da própria vida.
Ela passou das ruas para a gestão, da fiscalização para a educação, dos primeiros projetos para novas campanhas e iniciativas.
E, mesmo depois de tantos anos, existe algo que permanece: a preocupação com as pessoas.
É por isso que falar sobre Rosinha do Trânsito é falar também sobre educação, cidadania e responsabilidade.
É entender que um trânsito mais seguro não depende somente de fiscalização ou de novas sinalizações.
Depende de pessoas dispostas a respeitar umas às outras.
Uma história que ainda está sendo escrita
Em 2018, quando Rosa Maria de Moraes foi homenageada com a Medalha Emancipadores do Município de Itupeva, sua trajetória como agente de trânsito já reunia anos de projetos, campanhas e ações educativas.
Hoje, olhando para aquela história, é possível perceber que aquela homenagem não representava um ponto final.
Era apenas mais um capítulo.
Rosinha continua trabalhando, agora com novas responsabilidades e novos desafios.
E talvez seja justamente isso que melhor defina sua trajetória: ela nunca pareceu enxergar o trânsito apenas como um lugar para trabalhar.
Ela encontrou nele uma forma de cuidar das pessoas.
E, quando o assunto é educação no trânsito, fica claro que ainda existe muito a ser feito.
Porque mudar uma placa pode organizar uma rua.
Mudar um comportamento pode salvar uma vida.
E essa é, provavelmente, a parte da história de Rosinha que mais merece ser contada.