Jundiai - SP

O menos é mais. Simplicidade é a mais pura forma de elegância!

Como os índios vivem ou viviam? Por que rodear-se de bens, boa parte sem qualquer utilidade? A sociedade do consumo e do ter faz as pessoas olharem só para si mesmas, só para os seus interesses egoístas. Por que ganhar sempre, sempre mais, acumular infinitamente, virar bilionário como um brasileiro que se jactava de ser um dos mais ricos do mundo? (Aliás, no caso, todo o império, que era de fachada, caiu como um castelo de cartas. Mas ele foi capa de revistas, era citado como exemplo, o "self made man", capaz de tudo, sem limites, poderoso, bajulado por políticos, meios de comunicação, socialites e companhia).

A natureza agradece se os tempos de simplicidade se tornarem parte da vida das pessoas. Aí vai ser possível e sobrar espaço, horas e minutos para olhar para quem está do lado, saborear suas virtudes, conviver. Aí haverá disponibilidade afetiva para sentir o gosto da goiaba tirada no pé, salivar o vinho que não custa centenas ou milhares de reais, ou a cachaça caríssima que só alguns abençoados podem beber. Aí vai ser possível olhar o céu azul com naturalidade, caminhar mais com os pés descalços na terra nua e no barro, sentir a água banhando a pele suavemente, comer a gostosura do pinhão ou do milho cozido na chapa do fogão a lenha, deixar-se envolver pelo vento frio e fresco do final da tarde ou o sol cálido na praia deserta.

O capital e o ter nunca garantiram a felicidade. O acúmulo de bens nunca assegurou a paz. Ao contrário, levou a guerras e a mortes, a tiranias e ditaduras, a perseguições e exílios. E as árvores foram sumindo no horizonte, assim como os riachos deixaram de correr, o ar tornou-se impuro, a chuva parecia ácida e o tomate cheio de veneno.

Há um tempo para cada coisa. Há um horizonte e uma utopia de bem viver a serem buscados e construídos. Menos é mais. O simples pode ser muito. Pode ser tudo.