Jundiai - SP

A vida na mais pura natureza

Em tempos de aceleração, é preciso criar espaços no cotidiano que se afinem à nossa alma e à nossa própria natureza. Quanto mais atentos e sensíveis nos mantivermos em relação aos estímulos naturais, mais respeito teremos pelo nosso próprio funcionamento orgânico. A seguir, conheça práticas simples de autoconhecimento e de alinhamento entre corpo, mente e espírito por meio da tão generosa ayurveda.

Você já experimentou escolher o chá pelo aroma que mais lhe agrada sem reconhecer a erva ou ler o sabor escrito na embalagem? Não há mistérios. Essa forma de escolha é tão simples quanto profunda.

“Todos os cheiros que são realmente agradáveis ao nosso olfato são também remédios para o nosso sistema nervoso”, diz Maíra Salomão, terapeuta naturóloga e professora de hatha ioga do Saúde Elementar, em São Paulo, que atua na saúde integral do ser humano na visão da ayurveda.

Em sânscrito, ayur significa “vida” e vedas, “conhecimento”, formando a expressão “ciência da vida”, um sistema de medicina tradicional da Índia que segue o princípio de que o alimento deve ser nosso principal remédio. “A saúde está na essência dessa máquina perfeita que é o corpo.

Constituído de trilhões de células, cada uma delas com uma inteligência inata para cumprir adequadamente suas funções. Não é preciso ensinar-lhes nada, basta deixar que sigam sua trajetória. E, para que isso ocorra, cabe-nos, antes de tudo, fornecer ao nosso organismo os alimentos adequados”, descreve Laura Pires em seu livro Nutrindo Seus Sentidos – Receitas Ayurvédicas para Encontrar o Equilíbrio (ed. Bicicleta Amarela).

A sabedoria milenar aponta ainda para a profunda conexão que há entre o corpo e a natureza. Para mantermos o equilíbrio, precisamos estar atentos às mudanças climáticas e às estações do ano, assim como aproveitar as riquezas naturais que podemos encontrar nas plantas e nos minerais.

“Aquilo de que nosso corpo precisa no verão será bem diferente de suas necessidades no inverno, e, para mantermos a saúde, não podemos simplesmente ignorar esse fato”, explica a escritora. Do mesmo modo, a ayurveda ressalta que existem distinções entre cada ser vivo, mesmo entre seres da mesma espécie, e tudo isso precisa ser considerado ao buscar a evolução do ser e o tratamento para determinado desequilíbrio, seja ele físico, emocional ou mental.

“O essencial é que a ayurveda não se restringe apenas ao corpo, mas sabe também a importância de cuidar do espírito e da mente. Nessa perspectiva, o principal é o indivíduo se conhecer e se respeitar”, diz.

Para fluir com harmonia

Embora a nossa consciência esteja muitas vezes desconectada dos movimentos naturais e das influências do universo, nossa estrutura física e mental vive recebendo estímulos o tempo todo. O estresse, o clima, as fases da Lua, os horários do dia e da noite, a alimentação, o sono, o trabalho, o lazer, tudo repercute em nós.

Fazemos tudo tão rápido que mal dá tempo de perceber o nosso corpo e a nossa mente. No entanto, “existem práticas ayurvédicas que ativam a inteligência inata do corpo para que ele funcione de forma otimizada, com mais energia, clareza e sensação de calma”, pondera Thiala.

Essas práticas são chamadas de dinacharya, conhecidas como “rotinas diárias de cuidados” dentro do universo da ayurveda. A ideia é que os minutos dispensados do dia para as práticas sejam uma maneira de fluir com a vida sem gastar nossa energia desnecessariamente.

“A quantidade de cada elemento no corpo é o que nos diferencia”, diz Andreas. E que dentro da ayurveda existem os doshas, os três perfis biológicos que formam cada um de nós: Vata, Pitta e Kapha. “Eles indicam a predominância dos elementos no nosso corpo. Em Pitta predominam fogo e água; em Kapha, terra e água; e, em Vata, éter e ar.”

Todos nós carregamos os três doshas em combinações diferentes, tornando-nos seres únicos nas características físicas, emocionais e mentais. E é daí que vem a ideia dessa medicina de reconhecer e equilibrar os nossos doshas para termos mais saúde e harmonia.

“Mesmo que não seja possível identificar com clareza o dosha sem um acompanhamento profissional, conhecer as características de cada um permite uma conversa cotidiana consigo mesmo para identificar qual elemento está com uma presença mais marcante em um determinado momento. Com essa percepção, podemos escolher alimentos e práticas físicas que ajudem a manter um equilíbrio entre os elementos”, conta.